domingo, 5 de maio de 2019

Patrimônio - abril de 2019

Olá! Mês meio parado, mas segue a atualização patrimonial de abril. Ligeira queda em ITSA amargando uma certa freada na rentabilidade. Atingi a irrelevante, embora psicologicamente significativa, marca de R$ 20.000 de patrimônio. Oba!

Patrimônio e evolução - abril de 2019



Evolução do mês: +R$ 1294,63 ou +6,90%

Novamente, foi um mês bem parado. Nada muito interessante para postar (embora eu esteja me comprometendo a pelo menos postar todas as atualizações patrimoniais no dia 5), embora recentemente tenha me ocorrido uma certa "lição de liquidez" que acho interessante compartilhar no blog. Em uma ou outra semana faço uma postagem a respeito disso. 

Neste mês vou aguardar um pouco mais para aportar em ITSA por alguns motivos: acho que já é uma boa hora para começar a diversificar; já fiz uns aportes extraordinários nos últimos meses que quebram um pouco a regularidade dos meus aportes mensais;e estou começando a me perguntar se não é melhor comprar ITUB diretamente no lugar de ITSA. 

Tudo bem que ITSA é uma empresa lucrativa e muito boa e há um ou outro mês eu disse com uma fonte maior que "queria comprar mais", mas tenho visto uma ou outra notícia mais ou menos irrelevantes ultimamente, tipo a incorporação da Itautec (empresa lixo, só faz produtos merda e dá prejuízo. Alto valor agregado no Brasil não existe), e um vídeo (perdi o link) explicando sobre a rentabilidade histórica de ITSA x ITUB com toda uma discussão sobre as empresas merda que vão perdidas no meio de ITSA e sobre a atuação da "inteligência do mercado" nas duas empresas, levando em consideração que a própria Itaúsa se vende como sendo uma forma de comprar as empresas da holding "com desconto".

A essa altura do campeonato, não tenho nenhum motivo para fechar minha posição em ITSA (ainda é mais de 90% ITUB, mas não sei se vou seguir aportando. De qualquer forma, ainda preciso dar uma diversificada. Sigo nos 900 papéis por enquanto, resistindo muito à compra de mais um lote para fechar bonitinho nos 1000.

Também recebi opiniões (para vocês verem como o blog é mais movimentado do que a poeira nos comentários dá a entender!!) dizendo que eu deveria separar a rentabilidade da minha carteira da evolução patrimonial. Dei uma lida em algumas formas de fazer isso e daqui a um ou outro mês vou implementar um sistema de cotas (que elimina naturalmente o impacto dos aportes na rentabilidade e é bastante robusta) ou algo do tipo. Eu poderia usar o Kinvo para isso mas ele não é tão customizável quanto eu preciso que seja para ter uma certa consistência nos valores.

Composição da carteira


ITSA4  - R$ 10.593,0

CDB LD - R$ 3.758,46

LCIs - R$ 4.063,00

Conta corrente (corretora+banco) - R$ 1651,36

(Muita grana parada na conta corrente obviamente porque eu recebi em um fim de semana)

Abraços e até a próxima!


sexta-feira, 5 de abril de 2019

Patrimônio - março (sim) de 2019

Olá! Como comentei em outra postagem, joguei todos os valores um mês para trás para ficar consistente com o resto da blogosfera e também porque acho que faz mais sentido registrar assim. Percebi que ia ficar muito estranho se eu tivesse a tabela para este ano preenchida completamente no começo do mês de dezembro, não ia fazer sentido. Então, cada entrada corresponde à situação no início do próximo mês, evidenciando o desempenho durante o mês registrado. Bem mais sensato.

Patrimônio e evolução - março de 2019


Evolução do mês+R$ 1716,19 ou +10,06%


Novamente, bom mês, nada a reclamar. Fiz aquele aporte em ITSA4 no meio do mês e, na outra semana, aproveitei para comprar mais um lote por R$ 11,42 em uma queda que aconteceu no susto dois dias depois que a Câmara aprovou a PEC do orçamento impositivo, que põe um pouco mais de lenha na fogueira dessa briguinha estúpida dentro do governo ao tirar poder do Executivo. Pareceu ser só mais joguinho dos deputados para assustar o Bolsonaro, mas no fim do dia isso aí é ruído de curto prazo e as especulações diante da reforma da previdência seguem fortes.

Não fiz o aporte "regular" de abril ainda (mas não tem problema, eu fiz duas compras extraordinárias durante o mês de março) e estou pensando que daqui a pouco já deveria começar a diversificar. Estava pensando em pegar uma outra LCI com vencimento para janeiro (mesma coisa, 100% do CDI) para ter esse próximo vencimento para daqui a alguns meses a mais. Começar a estudar FIIs para investir também talvez seria legal - vários estão remunerando muito bem (0,6% - 0,7% ao mês líquidos) e acho que tem um efeito psicológico bacana de receber proventos mensais mais regulares do que os dividendos da Itaúsa (ou de outras empresas, enfim). A essa altura, o fluxo de caixa dos proventos não faria muita diferença (em valores absolutos), mas em algum lugar eu tenho que começar. Estava de olho em VISC11, o que acham? Falando em renda passiva, fiz alguns cálculos de guardanapo esses dias e, considerando os proventos da Itaúsa + rendimentos do CDB LD + as LCIs, já tenho em torno de R$ 100,00 mensais de renda passiva. Loucura. Há 2 anos, isso era uma porcentagem razoavelmente grande do meu rendimento lixo.


Ainda sobre a diversificação, fico meio assim de aportar em títulos para vencimentos mais longo como TD IPCA+/NTN-B ou um CDB de médio prazo porque em poucos meses meu contrato de trabalho vai acabar (é uma situação bem específica, mas para preservar o anonimato digamos que é um contrato temporário que não passa de julho ou agosto) e, mesmo tendo algumas possibilidades em vista, não sei exatamente o que vou fazer depois disso. Não estou em nenhuma situação de vida onde dependo do salário e não existe a possibilidade de eu precisar resgatar antecipadamente algum investimento caso eu fique sem emprego por vários meses, mas seria uma péssima ideia isolar grana sem renda em aplicações sem liquidez para médio/longo prazo. Vou seguir aportando normalmente enquanto estou empregado e depois vejo o que faço.

Em contrapartida, no mês que vem eu provavelmente chego a R$ 20.000 de patrimônio. Um marco que daqui a algum tempo vai representar uma quantidade de grana irrelevante, mas é bacana me ver passando por esses checkpoints ao longo do caminho. Lembro que fiquei um pouco maravilhado quando vi os 10 mil no meu CDB de liquidez diária há alguns meses. Bom, um passo de cada vez. Daqui a pouco é 50, 100 mil...
 

Composição da carteira


ITSA4  - 800 papeis - R$ 9.656,00

CDB LD - R$ 4.927,85

LCIs R$ 4.044,05

Conta corrente (corretora/banco) - R$ 143,29

Por este mês, é isso de patrimônio. Abraços!

sábado, 23 de março de 2019

Recuos na reforma da previdência e a bolsa

Olá! Post curto.

Essa foi uma semana um tanto turbulenta. Veio uma empolgação por causa do Ibov batendo os 100k - que já passou, inclusive (acho esse marco bem irrelevante); prisão do Temer; e, enfim, mais um recuo da reforma da previdência agora que o Maia ameaça largar de mão o apoio dele depois dos últimos arremessos de bolinha de papel no coleguinha feitos por um dos Bolsofilhos.

Sem entrar no mérito da reforma ser boa ou ruim, o mercado vê ela positivamente e tem péssimas expectativas quanto ao futuro do Brasil caso ela não passe. Investidores estrangeiros, presentes na bolsa até mais do que pessoas físicas brasileiras, também tem expectativas bastante exigentes quanto a ela e essas últimas fraquejadas de quinta/sexta-feira levaram muito dinheiro estrangeiro da bolsa a sair do país (o que, em parte, justifica a subida do dólar).

Há uma certa apreensão no ar quanto à possibilidade da reforma da previdência não passar. Prefiro me manter otimista, acho que eventualmente o governo para de brigar feito adolescente no Twitter e consegue aprovar. Enquanto isso, aproveitei as quedas para comprar mais um lote de ITSA4; paguei R$ 12,21; caiu ainda mais - fechou sexta-feira a R$ 11,93, preço próximo do que paguei nos meus primeiros lotes. Nada mau, talvez eu faça outro aporte antes do dia 5...

Imagem bem bacana mostrando as quedas da quinta-feira (ou foi sexta?). Acho que o tamanho de cada papel tem a ver com o volume de negociações, mas não tenho certeza. O importante é ver as quedas.



E vocês? Estão com medo? Estão com vontade de vender ou decidiram aproveitar a liquidação?

Abraços!

domingo, 17 de março de 2019

Aplicativos para acompanhamento de carteira

Olá! 

Desde que comecei a investir, tenho sentido muita falta de formas boas para acompanhar a evolução da carteira. Registrar tudo no blog, na verdade, tem sido uma forma de contornar isso porque eu passo a ter um registro histórico não só da alocação dos ativos e da evolução da carteira, mas também registros textuais, mais detalhados, do que eu estava fazendo e por quê. 

Sentia que, se não tivesse feito assim, não ia demorar muito até que eu começasse a olhar para trás e para os poucos registros que eu tenho e acabasse sentindo falta de algum tipo de memorário. Por outro lado, fazer isso também me permitiu perceber como minhas finanças não eram controladas com muito rigor, eu estava só gastando menos do que ganhava e acumulando sem muito propósito - quando comecei a voltar alguns meses nos extratos na conta do CDB LD (que era onde eu acumulava tudo antes de começar a investir) para mostrar a evolução do patrimônio desse meio ano inicial durante o qual eu não investia, me perdi muito rapidamente nas contas e comecei a me sentir meio estúpido - eu não tenho nenhum gasto relevante na minha vida (não é como se eu tivesse aluguel ou contas para pagar, filhos para criar ou financiamentos para quitar) e, ainda assim, apanhei um pouco para conseguir fazer um histórico de um ano do meu dinheiro.

Acho que o blog vai me ajudar com isso. Apesar de ter esses registros aqui, sinto falta de alguma forma menos maçante de acompanhar eu mesmo a evolução do meu patrimônio, sem ficar consultando os valores na corretora e nos bancos manualmente mês a mês. Procurei alguns aplicativos que fizessem isso e achei o Kinvo! Tenho usado ele e estou gostando. 


Essa é a tela principal. Está estranha porque fica deitado no emulador, por algum motivo.
Ele suporta bem vários tipos de ativo - inclusive, tem criptos. Também dá para importar os dados do TD e da B3 direto do CEI, o que é muito bom, porque eu não estava nem um pouco a fim de ter que ir atrás de todas as notas de corretagem para pegar o valor das taxas certinho. Tentei usar o TradeMap alguns meses atrás e achei um lixo, eles tinham uma funcionalidade de importar do CEI que eu nunca consegui usar direito. Essa importação do Kinvo até funciona bem rápido; fiz o aporte desse mês e já consegui importar um dia depois, mesmo antes de ter liquidado. Bem bacana. O Kinvo também mostra a rentabilidade de verdade da carteira (ignorando o valor dos aportes, coisa que eu não faço hehe) - não tinha percebido que devia fazer isso também e o Kinvo faz, gostei muito, dá para ver alguns gráficos em cada ativo comparando com o CDI e o Ibov.

Como ponto negativo, não achei nenhuma forma conveniente de registrar os dados do meu CDB LD e de todas as movimentações dele, já que é a conta que eu uso para os meus gastos habituais. Tem uma categoria de produtos de renda fixa pós-fixada (obviamente), mas eu não estava nem um pouco a fim de preencher todos os depósitos com todos os dados novamente, então só botei tudo que tenho lá agora como tendo sido aplicado esses dias. Isso vai dar uma certa distorção porque os depósitos mais antigos têm menos incidência de IR, mas eu vou corrigindo isso com o tempo. Pelo que parece, a filosofia do Kinvo é para acompanhar a carteira de investimentos, não meus gastos do dia-a-dia. Não é um organizador de finanças pessoais. Paciência; por enquanto eu não tenho muito patrimônio então essa grana no CDB LD ainda pesa bastante em relação ao total.

O que acharam? Conhecem outras alternativas de aplicativos ou sites para acompanhar a carteira? Comentem aqui!

Abraços!

terça-feira, 5 de março de 2019

Patrimônio - março de 2019


Olá! No meio do Carnaval, temos aqui a evolução do patrimônio para o mês de março. Pelo que acompanho da blogosfera, o pessoal costuma considerar o desempenho do mês anterior (e não do atual) em cada postagem. Dessa forma, esta postagem, por exemplo, seria correspondente ao mês de fevereiro, não de março. Talvez eu deva mudar isso no futuro, mas por enquanto tanto faz, dá para entender.

Patrimônio e evolução - março de 2019



Evolução do mês+R$ 640,74 ou +3,90%

Devo dizer que foi um mês bom. Em relação ao mês passado, o aumento foi bem pequeno porque ITSA4 deu uma queda razoável (comentarei isso) e também tenho a impressão de que contei algo errado no mês passado (creio que botei 300 reais a mais por acidente), mas paciência. Acho que é normal cometer alguns enganos nessas contagens. Além disso, tenho R$ 361,58 de proventos da Itaúsa a serem recebidos (que emoção, primeira vez que recebo proventos com valores realmente relevantes!) que já foram descontados do preço da ação e não estão sendo contabilizados em lugar nenhum aqui (porque é dinheiro que eu não tenho ainda), então por enquanto não aparece em lugar nenhum. Mês que vem o crescimento deve ser maior.

Como disse, ITSA4 deu uma queda considerável nesse último mês. Talvez tenha passado um pouco a euforia do mês inicial do governo relacionada a todas as propostas que haviam sido prometidas e, agora, com alguns recuos do Bolsonaro na proposta de reforma da previdência, o mercado parece ter perdido um pouco da empolgação. Não vejo como nada mais que uma correção e acho isso excelente para os meus aportes. Comprei ITSA4 no mês passado por R$ 13,37 e agora já está a R$ 12,26, com a possibilidade de ainda cair um pouco mais. Hora de aportar forte, assim que o feriado acabar acho que vou comprar 2 lotes.

Além dos recuos na proposta de reforma, vejo que acionistas da Itaúsa ficaram um pouco divididos quanto à notícia de incorporação da Itautec. Sinceramente achei a notícia meio irrelevante, Itautec é uma empresa bem meia boca que faz um monte de produtos lixo (nível Positivo, CCE e outras marcas nojentas de notebooks e afins brasileiros) e frequentemente aparecia com resultados operacionais negativos. Alguém pode se perguntar por que eu gosto tanto de aportar em Itaúsa mesmo com essa participação ridícula e aí eu vou responder o mesmo motivo pelo qual o pessoal da Suno achou essa incorporação irrelevante: porque o peso da Itautec nos resultados da Itaúsa é irrisório. Não vai fazer nenhuma diferença no longo prazo; o que pesa mesmo para Itaúsa é o Itaú (para a surpresa de ninguém), seguido por uma participação bem pequena de Alpargatas (empresa boa que sempre rende bons resultados) e Duratex.

Composição da carteira


ITSA4  - R$ 6.130,00

CDB LD - R$ 5.402,79

LCIs R$ 4.022,21

Conta corrente (corretora/banco) - R$ 1584,76


P.S: estou com tudo isso parado na conta corrente do banco porque (descobri hoje) recebi dia 1 de março e não deu para fazer porra nenhuma com essa grana ainda porque é Carnaval.

Abraços!


terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Divulgação de Resultados Itaúsa 2018

Olá!

Ontem a Itaúsa anunciou um valor belíssimo de dividendos e JCP para 2018 e, hoje, divulgou os resultados do ano passado. Estou fazendo essa postagem para comentar esses resultados, analisar alguns indicadores fundamentalistas e discutir a situação da empresa como um todo. Comecei a comprar ações da empresa em novembro de 2018, com muito menos estudo do que deveria, como forma de me obrigar a estudar sobre ela à medida que seguia aportando meu dinheiro. Essa é a primeira demonstração de resultados desde então e, para cumprir com o que me propus, estou fazendo essa análise. É a primeira vez que faço um exercício assim, então adoraria que os amigos comentassem a análise e suas perspectivas para a empresa!

Os demonstrativos contábeis estão espalhados em meia dúzia de planilhas de Excel diferentes, mas todas as informações constam no relatório completo, então vou analisar na mesma ordem que as informações são apresentadas nele.

Remuneração aos acionistas

Primeiro tópico relevante que eu vejo na demonstração (foda-se a sustentabilidade, Itaúsa recebeu uns prêmios legais de transparência mas não tenho o que falar sobre isso): a remuneração aos acionistas, já apresentada ontem.


Achei os valores ótimos, Itaúsa sempre foi uma excelente pagadora de dividendos e esse cenário só melhorou nesse ano. Um total de R$ 1,0019 por ação em proventos representa um dividend yield de 7.57% para PN se levarmos em consideração a cotação de fechamento de hoje (R$ 13,23). Para ON o yield é um pouco menor porque a ação é mais cara mas ainda são números ótimos. Aqui é bom notar que o yield deu "só" 7.57% porque eu peguei a cotação de hoje, um dos maiores valores que a ação atingiu em um ano porque ela abriu em alta hoje (proventos anunciados no fim da tarde ontem) e também por causa dos bons resultados. O yield on cost de qualquer um que tem comprado regularmente há mais tempo certamente vai ser maior. De R$ 0,80 para R$ 1,00 por ação temos um aumento de 25% no valor pago, o que está ótimo. Qualquer um que leva muito a sério os critérios de alguém tipo o Bazin para escolher ações (pelo menos 6% de DY) estaria satisfeitíssimo com esses resultados. Nota-se também o payout altíssimo de 2018 (para quem não sabe, payout é a porcentagem do lucro líquido distribuído como proventos para os acionistas).

Indicadores principais


Bom, se a Itaúsa diz que esses são os principais indicadores, quem sou eu para discordar? O lucro líquido teve um aumento de 15.9%, um resultado excepcional, e mesmo considerando só o LL recorrente (que eu vejo como uma visão mais "pessimista" da lucratividade), o aumento ainda foi bom. Os números também fornecem os seguintes indicadores (calculados com a cotação de hoje da PN):
  • P/L de 11.7 e P/VP de 2.01. Mesmo se eu fosse levar o preço em consideração, ainda daria para dizer tranquilamente que a ação está barata.
  • ROE de 18.2%, um valor excelente. Comparando com outras empresas do mesmo segmento, BBDC, BBAS e BIDI apresentam ROE de 15.8%, 13.8% e 7.1% (estou pegando os valores direto do Fundamentus aqui, talvez os valores estejam ligeiramente descompassados). Não sei se é justo comparar ITSA (talvez deveria comparar ITUB), mas o resultado não fica muito diferente (ITUB tem ROE de 16.6%). O que acham?
Comentários sobre o resultado (no relatório)
É sempre bom ter uma noção do que justifica as variações no balanço patrimonial, lucratividade e fluxo de caixa. Considerando que Itaúsa é composta basicamente por ITUB, não surpeende muito que o aumento no lucro líquido seja justificado pelo aumento nas receitas de serviços (produtos bancários, crédito, financiamentos...) do banco. Segue o comentário direto do relatório:

O  crescimento  do  lucro  líquido,  tanto  no  trimestre  quanto  no  ano,  decorreu  principalmente (i)  do  aumento  das  receitas  com  prestação  de  serviços,  associado  ao  crescimento  da  base  de clientes  correntistas  e  das  maiores  receitas  com  administração  de fundos,  e (ii) do menor custo de crédito, relacionado com a melhora do risco de crédito de clientes do Banco de Atacado no Brasil.
   A carteira de crédito, incluindo garantias financeiras prestadas e títulos privados, atingiu R$ 640,5 bilhões ao final de  2018, representando aumento de 6,0% em relação ao mesmo período de 2017. Em 2018, podem‐se destacar as carteiras dos segmentos de Pessoas Físicas, que aumentou 9,9% e o de Micro, Pequenas e Médias Empresas, com crescimento de 14,0%. As despesas gerais e administrativas cresceram no ano influenciadas pela incorporácão das operações de varejo do Citibank e pelo aumento das despesas na América Latina (excluindo Brasil), influenciado pela variação cambial.

Nada distante do esperado. Vejo que a recuperação econômica favorece muito as empresas menores (várias fecharam na época da recessão no segundo mandato da Dilma), então faz bastante sentido a participação das carteiras desse segmento (micro/pequenas/médias empresas) tenha tido esse crescimento tão expressivo.

Comentários

A análise não foi muito profunda porque é uma das primeiras e ainda estou pegando o jeito e tentando identificar o que é importante, mas os indicadores apresentados seguem endossando a excelente atuação da Itaúsa no segmento. Vai seguir sendo minha empresa favorita por um bom tempo, vou seguir comprando sem dúvidas. Houve uma certa empolgação hoje com os resultados e dividendos que valorizou o papel e espero que volte a cair depois que os proventos forem descontados, porque eu quero comprar mais! O que acharam da análise? Sentiram falta de algo? Estão de acordo? Comentem! 

Abraços!

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Guia básico de investimentos (renda fixa) - parte 1

O blog está começando, então acho uma boa ideia começar pelo começo. A acumulação de patrimônio como eu quero fazer se fundamenta em uma equação simples e acho que é uma boa forma de visualizar isso:

Renda - gastos = investimentos

Eu gosto de associar cada parcela dessa equação em três pilares básicos nos quais acho válido investir tempo e dinheiro. Na ordem:
  1. Aumento de renda: mesmo que seja possível diminuir vários gastos, pechinchar e pesquisar preços, existe um certo mínimo de custos abaixo dos quais é impossível ir - aluguel, alimentação, saúde, transporte etc. Dito isso, é importante ter em mente que os resultados obtidos ao se investir R$ 100 por mês vão ser muito inferiores aos de se investir R$ 1000. É fundamental evitar o comodismo e buscar formas de aumentar a própria renda para obter uma sobra maior para os investimentos ou simplesmente para poder custear mais gastos (sejam eles importantes ou mera luxúria). A principal forma de investir em aumento de renda é através de educação ou, de forma mais geral, qualificação. Vários anos (às vezes, décadas) são necessários para que a renda passiva dos investimentos tome conta e ultrapasse a parcela do trabalho no acúmulo de patrimônio.
       
  2. Educação financeira: apesar de ser um termo muito usado e pouco explicado, eu vejo como a capacidade de gerir as finanças pessoais e o fluxo de caixa oriundos de alguma fonte de renda (emprego, empresa autônoma, atividades na Internet...) consumindo ele de forma responsável. Aqui, eu incluo o conhecimento e a disciplina necessários para ceder a impulsos consumistas estúpidos e pensar duas vezes antes de gastar dinheiro com bobagem que talvez não seja tão necessária assim - ou, se for gastar com alguma besteira, que isso pelo menos faça sentido dentro de seu orçamento, renda e condições financeiras pessoais. Essa parte é importantíssima e é onde eu vejo que se concentra a ideia de minimizar os gastos.

  3. Investimentos: esse é o grosso do blog - aprender como fazer dinheiro fazer dinheiro (sim, é isso aí mesmo, fazer dinheiro fazer dinheiro). Não pretendo discutir muito formas de ter um salário de R$ 10.000 ou como viver com R$ 1 por mês, mas sim discutir as diversas formas que existem de acumular patrimônio com o dinheiro que sobra da renda. 

Renda fixa e renda variável

Podemos agrupar investimentos em duas grandes categorias principais: renda fixa (RF) e renda variável (RV). Existem alguns padrões que podem ser observados entre eles (renda fixa normalmente tem menos liquidez e renda variável costuma ter mais volatilidade), mas a diferença fundamental é que a rentabilidade da RF é dada por um INDICADOR ESTABELECIDO PREVIAMENTE. É fundamental destacar aqui que o INDICADOR (ou seja, um parâmetro de referência) é conhecido, mas não necessariamente a rentabilidade (e frequentemente não é). Vou me dedicar a renda fixa nesta postagem.

De forma simples, investimentos em renda fixa são, quase na totalidade (não me lembro de nenhuma exceção, na verdade), empréstimos remunerados com juros. Da mesma forma como um empréstimo tomado de um banco exige que um valor maior seja pago no final do contrato, emprestar dinheiro para instituições financeiras também remunera o credor com um valor maior que o original. O dinheiro não é multiplicado automaticamente - esses empréstimos rendem porque as instituições financeiras que os tomam usam os valores tomados para outros investimentos mais rentáveis e pagam ao credor apenas uma parcela desses rendimentos. O principal indicador econômico usado no Brasil para guiar as taxas de juros é a SELIC; taxas de juros em todo tipo de empréstimo dependem dela de alguma forma. O valor da SELIC normalmente é expresso como uma taxa de juros anual - no momento, ela está em 6,5% ao ano.

Tipos de investimento em renda fixa

Não tem muito propósito em alongar muito aqui mas há alguns tipos de aplicações em renda fixa que as corretoras de valores e bancos oferecem. Para o investidor, em geral só muda a rentabilidade e a incidência de imposto de renda mas é bom ter uma ideia do que se trata:

  • CDB (Certificado de Depósito Bancário): empréstimos feitos a bancos diretamente para financiar as atividades deles. Nada mais do que isso. Tem incidência de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) regressivo no resgate da aplicação (22,5% dos rendimentos, descendo até um mínimo de 15% se a aplicação se estender por mais de 2 anos);

  •  LCI e LCA (Letra de Crédito Imobiliário/Letra de Crédito do Agronegócio): empréstimos feitos para financiar o mercado imobiliário e o agronegócio. Também não tem muito mistério. Não há incidência de IR, então em geral as taxas de rentabilidade são menores.

  • LC (Letra de Câmbio): mesma coisa que um CDB só que o empréstimo é feito para uma instituição financeira (como uma cooperativa de crédito), não para um banco. Mesma incidência de IR que os CDBs;

  • Tesouro Direto: compra de títulos da dívida pública (Tesouro Nacional) para financiar operações do governo. Há vários títulos diferentes que variam em indicador de rentabilidade e prazo de vencimento. Sobre todos incide a mesma regra de IR dos CDBs.
Os principais são esses. Existem outros tipos de investimentos de renda fixa, mas os mais importantes são esses e nem todas as aplicações estão disponíveis para investidores pessoa física comuns, como é o caso de CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários), que só são acessíveis por investidores com muito capital ou através de fundos de investimento, que são assunto para outra postagem. Na verdade, o próprio Tesouro Direto, que hoje deve ser o tipo de investimento mais popular no Brasil (depois da poupança), só passou a ser acessível para pessoas físicas em 2002 - antes disso, os títulos públicos também só eram acessíveis através de fundos de investimento de renda fixa.

Avaliação de investimentos

Para avaliar o quão bom um investimento é (seja renda fixa ou renda variável), eu costumo levar em consideração 3 parâmetros principais: rentabilidade, liquidez e segurança.

  • Rentabilidade: não tem muito o que explicar, é a capacidade que a aplicação tem de aumentar o valor investido ao longo do tempo. Uma maior rentabilidade quer dizer que o montante aplicado aumenta mais rapidamente. É importante notar que o risco e a falta de liquidez nos investimentos costumam ser premiados com uma rentabilidade maior, um princípio que vale tanto em RF quanto em RV.
  • Segurança: representa, de forma geral, a ausência de volatilidade e a capacidade que a aplicação tem de preservar o valor principal investido, é o oposto do risco. O Tesouro Direto costuma ser considerado um dos investimentos de renda fixa mais seguros do Brasil porque as aplicações só podem ser perdidas caso o governo decida dar um calote na dívida pública, algo muito difícil de acontecer (e que traria sérias consequências para o país e para sua imagem diante de outros países); logo depois, temos os outros produtos bancários típicos disponíveis em bancos e corretoras, que dependem das instituições financeiras em questão serem capazes de honrar o pagamento. Mesmo sendo ligeiramente menos seguras que o TD, esses pagamentos só não são honrados caso o banco quebre, o que também não ocorre todos os dias. Existem sites para acompanhar dados sobre a saúde financeira de bancos, como o Banco Data, o que permite dimensionar o quão seguros são os investimentos deles.
  • Liquidez: possibilidade e prazo para resgatar a aplicação e convertê-la em um montante líquido de dinheiro. Aplicações com alta liquidez (como uma poupança) podem ter o valor aplicado convertido em dinheiro mais rapidamente, da mesma forma como uma menor liquidez significa que o valor é imobilizado por mais tempo. 

Sobre liquidez, as condições de liquidação e os prazos variam bastante. LCIs e LCAs costumam oferecer vencimentos de poucos anos devido à ausência de IR; para prazos mais longos (normalmente, a partir de 2-3 anos até 10 anos, no máximo), costumamos encontrar CDBs. Títulos do Tesouro Direto também têm prazos de vencimento muito longos (alguns vencem em 2045 e 2050). Todas essas aplicações podem ser resgatadas antes do vencimento de alguma forma, mas em geral isso pune o investidor com uma rentabilidade menor (no caso do TD, a liquidação só é feita efetivamente no próximo dia útil). Ativos negociados na bolsa (ações, ETFs, FIIs...) em renda variável são liquidados apenas 3 dias úteis depois (D+3), mas pelo preço imediato da negociação. Enfim, cada aplicação tem uma regra diferente.

Via de regra, aplicações e investimentos bons oferecem 2 desses parâmetros. O risco oferece um certo prêmio na forma de rentabilidade, da mesma forma como a imobilização do dinheiro com baixa liquidez (oferecendo uma certa segurança para a parte tomadora de que ela não precisará devolver o montante antes do combinado original), por prazos maiores, também. 

Tente pensar na apreensão ao pedir um empréstimo no banco sabendo que, a qualquer momento, ele pode pedir de volta o valor emprestado mesmo antes do fim do prazo estipulado para a devolução. Você certamente negociaria, exigindo taxas de juros menores ou a possibilidade de não os pagar integralmente, correto? Quando se empresta dinheiro para uma instituição financeira qualquer, o mesmo princípio se aplica.

Figura bonitinha que eu fiz para ilustrar os parâmetros de qualidade de investimentos. Ficou legal, vai.

Rentabilidade - investimentos prefixados e pós-fixados

O indicador em questão pode ser um valor fixo (uma porcentagem pré-determinada, tipo 10% ao ano), um indicador econômico (os mais comuns são IPCA e CDI - a medida de inflação oficial do governo e uma taxa de juros para operações de curto prazo entre bancos, respectivamente) ou um misto dos dois, combinando uma porcentagem explícita com um indicador (em geral, IPCA). No primeiro caso, o investimento é chamado de prefixado; nos outros dois (indicador e indicador + porcentagem fixa), é chamado de pós-fixado

Em investimentos prefixados, o indicador em questão é a própria taxa de rentabilidade estabelecida, que não passa por alterações até que o investimento vença. Se foi combinada uma taxa de juros de 10% ao ano, vai render 10% ao ano independente do que acontecer com a SELIC - vai render os mesmos 10% ao ano com a SELIC a 5% ou 50%. De certa forma, uma aplicação prefixada é uma aposta na manutenção ou na queda das taxas de juros - é muito melhor ter um investimento que rende 10% ao ano quando a SELIC vale os nossos 6,5% atuais que quando ela estava a 14%, em 2016.

Onde posso aplicar em renda fixa?

Aplicações em produtos de renda fixa são intermediadas por corretoras de valores (mais especificamente, DTVM - Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários), sejam elas empresas dedicadas a esse fim ou a corretora de um banco. Corretoras "independentes" são ótimas alternativas já que oferecem produtos de bancos menores, que remuneram o investidor com taxas de rentabilidade muito melhores que as dos bancões de varejo como uma forma de serem mais competitivas. Não vou fazer propaganda aqui mas existem várias opções de corretoras: XP, Rico, Clear, Easynvest, Modalmais etc. Elas são boas opções para procurar por produtos de bancos pequenos, mas não faz diferença para investir no Tesouro Direto já que a rentabilidade dos títulos é dada pelo Tesouro Nacional e todos os bancos de varejo eliminaram taxas para investir no TD há algum tempo.

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No próximo post (parte 2), vou entrar em um pouco mais de detalhe no Tesouro Direto, mostrar os títulos disponíveis, comentar sobre eles etc. Pessoalmente não gosto muito do TD, mas é um ótimo ponto de partida e normalmente é por onde se começa ao sair da poupança, então vou dedicar uma postagem a ele.

Sentiram falta de algo neste post? Gostariam de algo em específico do próximo? Me digam nos comentários! Abraços!